Já passou da hora de a oposição acabar com a brincadeira e voltar para casa. Chega, já deu. Há quase um ano a oposição política e ideológica ao governo insiste na mesma tecla: derrubar Dilma Rousseff da presidência da República, para a qual foi eleita em novembro de 2014 com maioria absoluta de votos. Durante todo esse tempo, os oposicionistas traçaram inúmeras estratégias, encenaram diversos movimentos táticos, fizeram e desfizeram alianças e ocupam enorme espaço na imprensa, especialmente na que tem os mesmos objetivos. Impeachment, renúncia, condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral, todas as alternativas de derrubada do governo foram e ainda são avaliadas pelos oposicionistas.

Para que essa movimentação toda? Para nada, tal qual a louca cavalgada dos cavaleiros de Granada, brandindo lança e espada. Nada de impeachment, nem de renúncia, nem de condenação pelo TSE. Dilma continua na presidência, mesmo diante da enorme pressão dos adversários políticos, dos inimigos ideológicos e dos “amigos” e “aliados” que por iniciativa própria, ou talvez seguindo os ditames da própria presidente, esmeraram-se em fazer bobagens e cometer erros primários na política, na economia e na comunicação.

Mas, na verdade, o “para nada” serve para o fracasso das tentativas oposicionistas. Por que em alguma coisa, a ofensiva da oposição deu resultado: tornar ainda mais difícil o enfrentamento da gravíssima crise econômica e financeira pela qual passa o país. A oposição, com suas ações, fez de tudo para agravar a crise e assim inviabilizar o governo. No Congresso, votou a favor de medidas que aumentam despesas e rejeitou as que aumentam receita. Na imprensa e na sociedade, tudo fez para reduzir a credibilidade do governo e piorar a imagem externa do país. Enfim, a velha tese do quanto pior para o governo, melhor para a oposição. Só que pior para o governo, mas, também, para o país – e, em consequência, para o povo.

Outro objetivo alcançado pela oposição foi o de acirrar os ânimos da população, criar um clima de raiva e ódio entre as pessoas, incentivar práticas condenáveis em um ambiente democrático e desqualificar o debate político, reduzido a chavões e agressões. A bem da verdade, tudo isso contando com a ajuda de governistas sectários, em um clima de radicalização sem nenhum sentido na conjuntura em que o país vive.

Se acabar com a brincadeira que lhe toma o tempo, a oposição pode se dedicar a recompor suas forças, cumprir seu papel institucional e se preparar para as eleições de 2016 e de 2018. E o governo poderá, enfim, governar em sua plenitude e encontrar os caminhos para superar a crise, em um debate sério e qualificado com a sociedade. Já o PT pode fazer sua autocrítica e recolher os cacos, quem sabe retomando os princípios que nortearam sua fundação e se afastando das más companhias, internas e, sobretudo, externas.

Hélio Doyle - Publicado no Brasil 247, em 19/10/15