A imprensa noticiou nesse último fim de semana outros conteúdos de delações de executivos da Construtora Odebrecht, nos quais foram relatados em detalhes, a forma como valores milionários foram usados para comprar políticos do Mossoró ao Arroio Chuí, membros  de quase todos os partidos com cadeiras no Congresso, em troca de ajudas para que se transformassem em leis interesses daquele grupo baiano.

Sendo verdadeiras tais afirmações, e isso já não mais se questiona,  é de se supor que os estádios da Copa, quase todos construídos pela mesma Odebrecht devam ser em breve requisitados pelo Judiciário para neles recolher os sentenciados. Impressionante e nojento como uma meia dúzia de senadores e deputados -Renan Calheiros, Romero Jucá, Geddel, Duarte Nogueira, Eduardo Cunha, Mar co Maia, José Agripino-, para citar os principais e pouco mais de uma dúzia de ajudantes manipularam (e não se sabe até quando continuarão a manipular) o Legislativo para através dele acumpliciarem o Executivo, sempre em troca de farta propina destacada dos valores cobrados para execução de obras públicas.

Presente nos mais diversos segmentos da atividade econômica, a Odebrecht  com seu poder de corromper, mandou no Brasil nesses últimos 25 anos. Soltou em Brasília e nos nossos mais importantes estados seus executivos com recursos suficientes para literalmente comprar. Em tudo onde atuou, não se tenha dúvida, a Odebrecht “molhou a mão” de quem enxergou como importante para  com ela contratar obras ou lhe retribuir concessões. Não se sabe porque e essa é a principal razão pela qual muitos questionam a isenç&atil de;o do juiz Sérgio Moro e do Ministério Público que o assiste, da demora porque estados onde a Odebrecht circulou com desenvoltura ainda não tenham tido levantados seus beneficiados, quando e quanto receberam pelo que o Código Penal define como associação ao crime.

O certo é que, em se passando o pente fino nas contas de obras realizadas por encomenda de governos estaduais –até agora foram auditadas apenas contratos com a União e estatais federais-, as próximas eleições deverão ter nomes novos como candidatos. A gana da sociedade, sem exceções de quaisquer origem,  para que o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal aprofundem e acelerem suas investigações não tem volta. Espera-se, contudo, isenção, e que TODOS paguem, com o mesmo rigor, pelas suas falcatruas. Só isso far& aacute; realmente o Brasil mudar.

Luiz Tito - Publicado no Jornal O Tempo, em 13/12/16